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Ações após novos recordes

Publicado em: - 10-04-2007

Vivemos mais uma vez a euforia da quebra de recordes. Mas, diferentemente dos recordes esportivos que nos enchem de orgulho e admiração, os recordes de ganhos na Bolsa de Valores tendem a despertar outros sentimentos entre as pessoas, principalmente a cobiça e a ganância. Quem agiu de forma emocional ganhou bastante nos últimos meses. Agora, é hora de deixar as escolhas emocionais de lado e agir racionalmente.

Não que seja hora de realizar lucros ou de deixar os investimentos em ações, pois a possibilidade de manutenção da tendência de crescimento é flagrante. O fato é que algumas reflexões são imprescindíveis para entender o que aconteceu com o mercado acionário no Brasil nos últimos anos, e esse entendimento pode facilitar suas escolhas em relação ao futuro. Vamos às reflexões.

1) Rentabilidades fantásticas. Os últimos anos trouxeram ajuste de preços, em que a gradual redução do risco Brasil trouxe o valor de mercado das empresas a um patamar que, na média, é entendido pelo mercado como sendo de preço justo. Isso significa que as empresas não cresceram tanto quanto a valorização de suas ações. Significa também que, mantidas as condições de mercado – isto é, ausência de crises não previsíveis – o valor das ações das empresas deve acompanhar agora o crescimento dos negócios. Salvo surpresas positivas (que continuarão sendo garimpadas por especialistas), uma faixa razoável de crescimento para boas empresas está entre 20 e 30% ao ano.

2) Estabilidade no crescimento. Há boas razões para comemorar a maior solidez de nossa Bolsa de Valores. O risco Brasil em piso histórico e a provável elevação do Brasil para a recomendação de “grau de investimento” entre agências de rating e grandes bancos não impedem a entrada de capital especulativo, mas atraem um volume maior de capital de longo prazo. Some-se a este fato a nítida popularização da Bovespa nos últimos anos, que trouxe ao mercado pequenos investidores também com visão de longo prazo. Estes são fatores que dão consistência à aquisição de papéis, permitindo impactos menos intensos e recuperações mais rápidas diante de crises. As pessoas físicas estão sabendo detectar os momentos certos de comprar e de calmamente não reagir a ondas especulativas.

3) Papéis confiáveis. O mercado brasileiro conta com um amplo menu de blue chips, ações de empresas de solidez global e desempenho extremamente previsível, que viabilizam a construção de carteiras conservadoras. Hoje já é possível ter uma carteira segura e extremamente diversificada não só em diferentes empresas, mas também em diferentes setores. Novos investidores têm condições de identificar essas alternativas sem grandes dificuldades, pois tais recomendações de investimentos são alardeadas entre corretoras, jornais e revistas.

4) Opções para quem tem apetite para o risco. Não faltam também alternativas de risco para alimentar sonhos de ganhos mais rápidos, fruto da abertura de capital de dezenas de empresas e do ambiente favorável ao crescimento dos negócios nos últimos anos. Isso alimenta o mercado de formação de traders, cada vez mais institucionalizado e regulamentado, e fomenta a criação de fundos focados no crescimento da economia, como mostra o sucesso recente dos fundos de small caps.

Tais reflexões não esgotam as qualidades do mercado de ações no Brasil, mas também não pretendem vendar os olhos de novos investidores ao risco desse mercado. Sim, ainda temos um mercado de capitais pequeno, sujeito a impactos sensíveis diante de movimentos especulativos. Ainda não temos unanimidade sobre o sonhado “investment grade”. Quando houver unanimidade, não deverá haver salto significativo no Índice Bovespa, pois a expectativa já está precificada, segundo muitos especialistas. Porém, se não temos mais expectativas de ganhos astronômicos, temos a certeza de que nosso mercado de capitais é mais saudável e uma excelente alternativa aos juros baixos. Não é um fato a ser desprezado.

3 depoimentos!!

» sexta-feira 23 abril 2010 2:00 | permalink

fabio martinelli:

Parabéns pela análise, demonstra muito conhecimento e clareza na visão do cenário brasileiro da época. Um mês, depois viria a crise…

» sexta-feira 4 junho 2010 16:53 | permalink

Cristiano Melo:

Boa tarde Gustavo.

Lendo este seu antigo artigo vejo que vc assim como os demais consultores financeiros tem uma dificuldade de se desfazer de ativos valorizados…porque? Sempre ficam com a mesma indicação de longo prazo, não seria interessante investir em bolsa, pensando no longo prazo, porém pegando as distorções no curto prazo? Porque da minha pergunta: Imagine que sou um investidor de longo prazo e investi buscando um horizonte mínimo de investimento de 5 anos, porém entrei em junho de 2008, e o que fazer?
Aproveito para lhe dizer que gosto muito de seu trabalho, mas sempre fico a me questionar sobre isso, visto que sou investidor de bolsa e mesmo visando o curto prazo, não preciso ficar olhando diariamente a bolsa, pois hoje as corretoras nos oferem diversas ferramentas (stop Loss e Stop gain) para nos auxiliar e também para nos previnir de prejuízos grandes.

Agradeço desde já e parabéns por seu textos!

Cristiano.

» quinta-feira 24 junho 2010 15:40 | permalink

maisdinheiro:

Cristiano, evito o excesso de atividade para não aumentar demais o custo de minha carteira e para continuar produtivo no meu trabalho. O custo de uma carteira superativa é alto, o risco é maior e o ganho a mais não compensa. Eu aproveito as distorções praticando o rebalanceamento, ou seja, comprando ou vendendo parte de minha carteira para respeitar a estratégia original. Minha estratégia está detalhada no livro Investimentos Inteligentes.

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