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Dinheiro a dois rende mais

Publicado em: - 29-09-2006

Casamento, como todos sabem, é a união de duas pessoas que decidiram dividir tudo, na alegria ou na tristeza. Isso significa que as finanças também fazem parte desse pacote. Porém, como cada um tem a sua maneira de lidar com dinheiro, não é difícil encontrar casais que não combinam nem um pouco nesse quesito. O resultado são brigas, discussões e até mesmo separações motivadas pela falta de planejamento financeiro – depois da infidelidade, desentendimentos em relação ao dinheiro são a maior causa de separações. Sem dinheiro sobrando, fica difícil realizar sonhos, planejar o futuro, realizar aquela viagem tão desejada e até mesmo jantar fora no final de semana.

Ao casar, muita gente acredita que o parceiro vai ser um grande aliado na hora de pagar as contas. Em alguns casos, isso funciona perfeitamente; em outros, pode se revelar um grande engano. Isso acontece porque, atualmente, a mulher também é dona de seu próprio salário, não dependendo mais do dinheiro do marido. Ambos desejam ser independentes e administrar o que ganham como bem entender. Porém, se o papel de cada um nas finanças da família não estiver claramente estabelecido, será difícil entrar em um consenso sobre o que deve ser feito com o orçamento da família.

O maior obstáculo no planejamento das finanças de um casal, de fato, é a ausência do assunto “dinheiro” entre marido e mulher. O tabu de não poder falar desse assunto ainda é muito forte em nossa cultura. Além disso, há a crença, completamente equivocada, de que as finanças do casal devem ser separadas, com total independência de contas e planos. Essa crença resulta em lares divididos, pois os padrões de vida do casal evoluem em ritmos diferentes. Outro empecilho é a dificuldade em reconhecer que o companheiro pensa de forma diferente sobre dinheiro. Ao invés de buscar o meio-termo, tendemos a querer fazer com o que o outro pense, aja e planeje como nós.

Para reduzir os conflitos decorrentes do mau uso do dinheiro, o planejamento deveria ser feito sempre a dois. Isso não quer dizer que ambos devem ser planejadores, capazes de manipular planilhas e de discutir investimentos. Mas as decisões devem ser compartilhadas, as contas preferencialmente conjuntas e os investimentos também. Com contas separadas, pagamos o dobro de tarifas e perdemos em força de investimentos e de relacionamento. Independência sim, mas apenas naquela parte do orçamento correspondente aos gastos individuais.

Minha proposta aos casais é que cada um tenha a sua mesada para suprir suas necessidades individuais, preferencialmente igual à do companheiro, independentemente de quem ganha mais. A renda total deve ser destinada aos gastos da família e também a investimentos para se conquistar objetivos comuns, como a compra da casa, a aposentadoria, a faculdade dos filhos ou as férias anuais.

Quanto mais cedo o casal começar a pensar na aposentadoria, melhor. Guardar um percentual fixo todos os meses, durante um prazo programado, em investimentos selecionados para criar resultados no longo prazo, pode ser uma boa idéia. Investimentos conservadores são uma escolha prudente, mas não vão trazer resultados tão interessantes quanto os que seriam obtidos se o casal dedicasse tempo para buscar conhecimento sobre alternativas mais complexas. Já quem tem certeza de que não terá disciplina para isso deve optar por pacotes prontos, como um plano de previdência, por exemplo.

Cuidar das finanças exige muita paciência e dedicação, mas muita gente acaba desistindo no meio do caminho. Para evitar recaídas, o melhor caminho é o casal se unir em busca de sonhos definidos, ao invés de batalhar para construir simplesmente a chamada “reserva de emergência”. Para muitas pessoas, ainda é difícil canalizar esforços para projetos de longo prazo. Se você tiver de cortar alguns gastos de hoje para conquistar sua casa, uma renda digna na aposentadoria ou para viajar para o exterior a cada três anos, a motivação da conquista ajudará a suplantar a dificuldade do esforço diário. Todo sacrifício é suportável quando tem prazo para acabar e o objetivo é uma grande conquista pessoal.

Gustavo Cerbasi é consultor financeiro e professor da Fundação Instituto de Administração, sócio-diretor da Cerbasi & Associados Planejamento Financeiro e autor dos livros Dinheiro – Os segredos de quem tem e Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, ambos pela Editora Gente.

11 depoimentos!!

» quarta-feira 29 julho 2009 10:33 | permalink

Natalia:

Ok, o casal resolve ter uma conta cojunta e investimetos também, e como fica essa situação no caso de uma separação? Como dividir os investimentos?

» sábado 1 agosto 2009 13:15 | permalink

maisdinheiro:

Natália, a divisão é simples: depende apenas de verificar qual é o regime de casamento do casal.

» quarta-feira 5 agosto 2009 11:53 | permalink

Letícia:

Gostaria de saber como combinar o investimento em objetivos pessoais, como uma pós para o marido e um negócio próprio para a esposa.
O que seria mais justo: investir valores iguais, proporcionais ao objetivo ou proporcional ao salário da pessoa?

Obrigada e parabéns pelo trabalho!! Adorei o livro: Casais inteligentes enriquecem juntos.

» segunda-feira 10 agosto 2009 13:27 | permalink

Larissa:

E sobre a previdência privada? É possivel fazer conjunta também?

» quinta-feira 20 agosto 2009 11:56 | permalink

ronaldo santana:

Gustavo tenho dois livros escritos por vc meus parabens pelo sucesso,é a pura realidade eu gostaria de receber uma planilha de gastos…..fka com Deus!

» sexta-feira 21 agosto 2009 0:08 | permalink

maisdinheiro:

Ronaldo, baixe a planilha de orçamento doméstico aqui no site.

» domingo 13 setembro 2009 8:45 | permalink

Francisco Alves:

Gustavo, sou leitor de todos os seus livros e quando li o livro “Casais inteligentes enriquecem juntos”, coloquei em prática várias de suas sugestões. Uma delas foi acabar com as contas correntes individuais e manter apenas uma conjunta. Obtivemos todas as vantagens citadas por você, como redução de tarifa, maior poder de barganha no banco para negociações de taxas, cartões de crédito com pontuação maior, isenção de anuidades, etc…Além disso, trouxe mais praticidade no manuseio das contas, sem dúvida. Isso foi feito há vários meses, talvez tenha até mais de um ano…e tenho percebido alguns problemas: antes tínhamos controle de nossas contas individuais, agora o controle da conta conjunta está mais difícil. Nunca sabemos o saldo dela. Além disso, temos discutido sobre as escolhas que cada um tem feito em relação a determinados gastos individuais…É como se cada um pensasse que o outro está gastando dinheiro do outro sem pedir permissão. E por fim, outro problema é que fica quase impossível controlar limites de gastos para categorias de despesas quando temos duas pessoas gastando muitas das vezes em locais e momentos diferentes. 1) Com sua experiência, como acha que podemos resolver isso? 2) A vantagem obtida com a unificação de contas vale a pena estes probleminhas? 3) Gostaria de saber também porque você diz que o dinheiro reservado a gastos individuais (mesada) deve ser igual para ambos, independente de quem ganha mais. 4) Para concluir, você sugere que essa mesada seja deixada em uma conta corrente individual? Em uma conta poupança individual? Ou seja sacada e mantida em dinheiro? Muito obrigado e que seu sucesso continue a motivá-lo a escrever sobre este assunto tão importante para as nossas vidas.

» sábado 26 setembro 2009 23:11 | permalink

maisdinheiro:

Francisco, 1) controle as contas com mais frequência, 2) o problema desaparecerá com a sugestão anterior, 3) o padrão de vida do casal deve ser único na família (releia o capítulo a esse respeito), 4) acho que você confundiu a sugestão: a mesada é para ser gasta ou, no máximo, poupada individualmente (pode ser em um envelope, ou uma poupança individual).

» quarta-feira 18 novembro 2009 9:12 | permalink

maisdinheiro:

Larissa, planos de previdência têm um único contribuinte, mas podem ter mais de um beneficiário. O ideal é fazer um plano para cada membro do casal.

» quarta-feira 18 novembro 2009 9:16 | permalink

maisdinheiro:

Letícia, dúvidas pessoais que esperam resposta devem ser encaminhadas através do Money Forum.

» terça-feira 1 junho 2010 18:04 | permalink

Leo Freitas:

Com certeza no casamento o dinheiro tem que render mais.
Muito bom o post.

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