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Filhos podem não custar nada
Publicado em: - 20-07-2011
Frequentemente, sou convidado por publicações especializadas a criar simulações do preço de ter ou de educar um filho.
Apesar de esse tipo de reflexão econômica aparecer com frequência na mÃdia, considero-a bastante descabida, a ponto de me recusar a fazer qualquer simulação nesse sentido.
Racionalmente, somos motivados a acreditar que a decisão de ter um filho ou não é essencialmente econômica, em razão dos custos de saúde, decoração, educação, alimentação, fraldas e afins. Quem adota esse raciocÃnio considera, portanto, que, além dos gastos que já tem atualmente, terá que arcar com os extras trazidos pelo pequeno ser.
Isso é verdade se seu orçamento se esgota com moradia, alimentação, saúde e transporte, os mais essenciais dos gastos básicos, o que não deveria acontecer. Esse é um evidente sinal do desequilÃbrio financeiro em que vivem as famÃlias de hoje. Consumir todo um orçamento com despesas fixas e burocráticas - o tal do pagar contas - reflete uma péssima qualidade de consumo.
Gastamos tão mal nosso dinheiro que qualquer mudança nos conduz ao desequilÃbrio. Imprevistos não são tolerados nem desejados, seja um problema de saúde, um acidente ou a bênção de ter filhos.
Já reparou como muitas pessoas se sentem angustiadas quando são convidadas a apadrinhar um casamento? De onde sairá a verba do presente? Quando uma famÃlia adota um padrão de consumo mais flexÃvel, com menos compromissos fixos e mais gastos variáveis, seu maior ganho é a capacidade de amenizar imprevistos ou se adaptar a novas situações, como o desejo de ter um filho, por exemplo.
Imagine uma famÃlia que tem uma renda de R$ 2.000 mensais e que a consome toda com prestações do imóvel e do automóvel, com plano de saúde, contas de consumo, supermercado e combustÃvel. Se alguém adoecer e surgir um novo gasto com medicamentos, essa famÃlia terá que recorrer ao crédito e se endividar. Agora, imagine se essa famÃlia optar por uma moradia 10% mais barata e por um automóvel 20% mais barato e econômico, reduzindo seu custo total para R$ 1.700. Essa famÃlia teria, agora, R$ 300 mensais para sair da rotina. Isso pode significar a formação de pequenas poupanças, a compra de presentes ou qualquer tipo de gasto com lazer. Ou, quando surgir um imprevisto, esses itens podem ser adiados para viabilizar o pagamento de medicamentos.
Esse é o raciocÃnio. Se um casal adota uma vida mais simples em termos de custos fixos e mais rica em experiências de lazer, cria no orçamento verbas flexÃveis. Se descobre que terá um filho, poderá abrir mão de lazer nos meses de resguardo da gestação, e garantir as aquisições iniciais para bem receber o bebê. Se tem o hábito de viajar ou jantar fora, pode tranquilamente contar com a verba desses itens para suprir os gastos dos primeiros meses de vida.
Um casal que efetivamente curte o relacionamento e predomina seus gastos em viagens e gastos com bem-estar pode até ter uma economia orçamentária em razão da recomendada diminuição nos hábitos sociais nos primeiros meses de vida do bebê.
Obviamente, aqueles que acreditam que manterão a rotina de namoro e convÃvio social mesmo após a chegada dos filhos estão, no mÃnimo, negligenciando a importância de seu papel como pais.
Preparar-se para esse papel é muito mais importante do que fazer contas. A natureza é sábia e confere a pais e mães uma atitude mais focada após o nascimento dos filhos, o que facilita as escolhas profissionais e o aumento de renda. Na hora de tomar as grandes decisões de sua vida, evite simplificar suas escolhas em contas matemáticas. Seus valores, sua ética e sua missão de vida exigem uma posição mais madura, tanto econômica quanto emocionalmente. Se você acha que um filho sai caro, faça as contas de quanto custa um adulto. Sai mais barato pedir um divórcio amigável e adotar uma criança.
Gustavo Cerbasi (www.maisdinheiro.com.br) é consultor financeiro e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Ed. Gente), Investimentos Inteligentes (Thomas Nelson Brasil) e Filhos Inteligentes Enriquecem Sozinhos (Ed. Gente).
Publicado originalmente no jornal Folha de S.Paulo, em 18/07/2011. Artigo protegido por direitos autorais. Reprodução autorizada desde que citada a fonte www.maisdinheiro.com.br
14 depoimentos!!
Mônica Japiassú:
A cada artigo seu relacionado a valores familiares que leio, mais o admiro!
Tania Perusi Porto:
Que coisa boa acompanhar a sua carreira . A cada artigo seu que leio, minha admiração aumenta !
Mauricio:
Artigo muito interessante para as Familias estarem refletindo sobre seu papel como pais,para o povo em geral falta educação em todos os sentidos,financeira,planejamento familiar.etc
Abilio Passos:
Muito legal a matéria. Filho não deve mesmo ser visto como custo, gasto ou investimento. Vejo meu filho como uma. benção de Deus e um sonho realizado. Se mesmo assim for pensar em ganho, filhos são mais uma motivação para trabalharmos e pensarmos em nossas finanças de forma equilibrada.
Maicon:
Muito bom o artigo Cerbasi. Acredito que o planejamento é sem dúvida a solução para diversos problemas financeiros e familiares. Sem ele dificilmente alcançaremos um futuro com liberdade de escolhas e abundância financeira. Parabéns pelo artigo.
Thiago Dias Quintino:
Ótimo o artigo. Acho que a chave fundamental para o equilibrio é o planejmento financeiro sem dúvida. Através do planejamento cada um tem condições reais de avaliar sua vida financeira e pessoal e propor modicações e intervenções. Aprecio muito os seus artigos e livros os quais tem publicado. Tenho me interessado cada vez mais pela area de finanças pessoais.
renato mello:
é isso ai temos q procurar o equilibrio em tudo, obrigado pelos ensinamentos
Júnior:
Parabéns, adorei o artigo. Muito bem escrito e com palavras muito sábias. Júnior
Obrigado por esta lição. ;]
Abraço.
Renato Marques:
Concordo com a idéia de que filhos não podem ser encarados como custo, com um enfoque puramente financeiro sobre a sua chegada na famÃlia.
A alegria de ter uma criança em sua vida supera qualquer eventual rearranjo a ser feito no orçamento.
O sorriso que eu recebo do meu filho quando volto do trabalho, simplesmente não tem preço!
Muito bom o seu artigo Cerbasi.
Marcelo Nascimento:
Seu conhecimento é realmente admirável! Saudações,
Marcelo Nascimento
Davi:
Simplesmente SENSACIONAL!!
Parabéns, Gustavo, pela excelente ótica e pela capacidade de simplificar e exemplificar as coisas…
Um abraço!
Michele Fernandes:
Muito bom!
O engraçado é que o argumento “econômico” é hoje em dia universal…. “Não temos condições de ter mais do que x filhos.” Não pode o rico, não pode o remediado, não pode o pobre. E ai de quem acha que pode! Desperta a fúria de pessoas a quem jamais pediu qualquer ajuda….rssss
Fernanda Oliveira:
Excelente artigo! Sábias palavras! Tenho acompanhado seu trabalho há algum tempo e creio que um dos grandes diferenciais positivos seu em relação a outros consultores é a visão ética que transparece em todos os seus textos. Parabéns! Numa época em que o dinheiro ganhou mais importância do que realmente tem, resgatar as verdadeiras riquezas da vida é fundamental! Obrigada!

