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Momento do Imposto de Renda
Publicado em: - 03-01-2012
Com os primeiros dias do ano vêm novos planos, metas renovadas para os próximos meses e um fôlego a mais para colocar ordem na vida. Vêm também as promoções do comércio e as contas das férias, mas isso é assunto para outra coluna.
O que pouca gente lembra nesse momento é que com o começo do ano temos também a oportunidade de acertarmos de vez nossa declaração de Imposto de Renda, com possibilidade de pagarmos menos ou de restituirmos mais impostos daqui para a frente.
Não estou me referindo à declaração 2011-2012, que entrará em pauta na mÃdia e na agenda da maioria dos brasileiros a partir de primeiro de março. Essa já era!
Se há algum ganho fiscal a ser obtido com despesas dedutÃveis, doações ou com planos de previdência, será fruto do que você fez no ano passado e de sua capacidade de informar isso corretamente na próxima declaração.
Por outro lado, muitos ignoram a possibilidade de construir inteligentemente um plano de previdência efetivamente bem planejado, com contribuições mensais pequenas e regulares, calculadas de forma a obter o máximo de dedução do Imposto de Renda, que se converterá em restituição em 2013.
Um número maior de pessoas ignora a possibilidade de converter até 6% de sua renda em contribuições para a filantropia e abater todo esse valor do imposto a pagar.
Por falta de organização pessoal, muitos comprovantes de despesas com educação, médicos, laboratórios e similares, que podem ser deduzidas da renda a ser tributada, serão esquecidos em fundos de gavetas, premiando o Tesouro Nacional e fazendo falta no bolso das famÃlias.
Adotar uma rotina mais organizada a partir deste inÃcio de ano só surtirá efeito em 2013. Mas, uma vez adquirido o hábito, o resultado tende a ser permanente e crescente.
Para começar, reservar uma pasta ou gaveta especÃfica para o Imposto de Renda costuma ser suficiente. As regras que explicam quais comprovantes guardar e quais tipos de pagamentos ou doações podem ser aproveitados na declaração estão detalhadas no site da Receita Federal, em www.receita.fazenda.gov.br. Não se limite à pesquisa das regras, procure também por cartilhas especÃficas na internet.
Um segundo passo importante é assumir as rédeas de sua declaração, passando a fazer pessoalmente o preenchimento dela. É uma conveniência e tanto contratar especialistas para fazer isso por você, mas, ao fazer isso, você delega uma atividade importante a alguém que não conhece detalhes de sua rotina e de suas finanças.
Por outro lado, quanto mais você vasculha as diversas fichas da declaração e busca detalhes sobre campos que podem ser preenchidos, mais oportunidades encontra de restituição ou desconto no tributo.
Não é difÃcil passar a fazer pessoalmente o preenchimento. Se você está acostumado a contratar profissionais, deve fazer isso novamente neste ano e usar a declaração feita por eles como uma espécie de gabarito para conferir a que você fará sozinho, a tÃtulo de exercÃcio.
Provavelmente haverá alguns erros no seu preenchimento, mas o aprendizado com base na referência correta tende a ser intuitivo e rápido. Quando decidir fazer sua primeira declaração sozinho, contrate mais uma vez um profissional para conferir o que você fez.
Pela minha experiência, duas declarações consecutivas já proporcionam aprendizado suficiente. Quando o software da Receita Federal estiver disponÃvel, no inÃcio de março, baixe-o e faça a lição de casa. Você se sentirá mas seguro ao ter o controle da situação. Se tiver alguma situação irregular ou falha no preenchimento, terá maior consistência ao prestar esclarecimentos ou efetuar correções. Não faltarão orientações na imprensa para ajudá-lo nessa missão.
Em suma, uma rotina de organização pessoal lhe renderá bons resultados, tanto por dispensar a contratação de quem faz serviços que você deveria fazer quanto por capacitá-lo a identificar mais oportunidades de dedução e restituição. Vale o tempo dedicado.
Gustavo Cerbasi (www.maisdinheiro.com.br) é consultor financeiro e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Ed. Gente), Como Organizar sua Vida Financeira (Elsevier Campus) e Investimentos Inteligentes (Thomas Nelson Brasil).
Publicado originalmente no jornal Folha de S.Paulo, em 02/01/2012. Artigo protegido por direitos autorais. Reprodução autorizada desde que citada a fonte www.maisdinheiro.com.br
2 depoimentos!!
cesar:
no artigo vc diz que a doação pode ser 6% da renda, porém não é isso, é 6% do imposto apurado.
Thiago:
Eu mesmo com um contador pessoal me sinto extremamente inseguro em relação a minha declaração. Este ano vou seguir suas dicas e começar a ter controle direto da situação.
Obrigado e parabéns!!

