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Não sabemos comprar
Publicado em: - 30-08-2011
Definitivamente, não existem compras parceladas sem juros ou juros baixos em compras parceladas. O que existe são consumidores desavisados, ávidos por consumo, dispostos a acreditar no mais modesto discurso de venda proposto até mesmo por vendedores pouco treinados.
Comprar mal faz parte de nossa cultura, é fácil constatar. Quem faz compras frequentemente em supermercados, ao menos a cada semana, conhece melhor os preços e sabe que palavras como “oferta”, “promoção” e “aproveite” não significam necessariamente que o preço esteja melhor do que em outras lojas. Mas poucos vão ao supermercado semanalmente. Herdamos o mau hábito das compras mensais da época de inflação elevada, quando fazê-las era questão de preservação do patrimônio.
Hoje, quantas famÃlias não terminam o mês com dÃvida de R$ 100 no cheque especial e R$ 300 estocados em produtos na despensa? Não faz sentido estocar nada em tempos de inflação controlada.
Negociar preços, por sua vez, é um ato constrangedor para muitos. Num Brasil em que o desperdÃcio e a esnobação são referência de consumo, o hábito de pechinchar acaba sendo entendido como atitude avarenta, mesquinha e desconfortável. Uma negociação de compra e venda parece-se mais com uma relação social entre compradores e vendedores do que com um desafio entre partes com interesses opostos.
Outro problema ocorre no mau hábito -tipicamente brasileiro- das compras parceladas.
Tal vÃcio deveria ser permitido somente à queles que provassem possuir um controle rigoroso dos gastos mensais. Há quem argumente que é melhor aceitar o parcelamento naquelas situações em que não há juros embutidos. Pura ilusão. Sempre há juros embutidos em compras parceladas.
Cabe a cada um de nós esforçar-se para, após franca negociação, obter o melhor preço à vista. Obviamente, há lojas que são irredutÃveis em sua polÃtica comercial, não abrindo mão dos juros -isto é, insistindo em que o preço é o mesmo tanto na opção à vista quanto na parcelada.
A solução, nesses casos, é pechinchar na loja concorrente. Há alguns meses, circulei por um shopping de São Paulo em busca de uma geladeira nova para minha casa. O modelo que escolhi, um lançamento, tinha exatamente os mesmos preços e condições expostos nas vitrines de seis lojas diferentes: R$ 2.200 à vista ou dez parcelas de R$ 220. Após sentar para negociar, fechei por R$ 1.750 à vista em uma dessas lojas.
Surpreendente? Apenas adotei a simples estratégia de não fechar o negócio até chegar na proposta final do gerente da loja. Chame o gerente!
Há aqueles que se iludem com o truque dos juros baixos. Recentemente, vi no jornal a propaganda de uma concessionária que anunciava, para um carro que pensava comprar, juro de 0,99% ao mês -uma taxa baixa e sedutora. Como não queria estender muito o financiamento – para não dar mais meio carro em juros embutidos nas várias parcelas –, pedi uma proposta de financiamento de parte do valor do carro em seis prestações.
No momento em que surgiu uma tal “taxa de abertura de crédito” (omitida até então, como se fosse apenas um detalhe), o custo total da operação -o chamado custo efetivo total, de divulgação obrigatória, mas sempre discreta – mostrou juros embutidos de cerca de 2,2% ao mês. Mais do que o dobro da taxa anunciada! Não existe mágica.
Por isso, esteja atento. A pressa, o aumento da renda e uma certa indulgência levam-nos a ignorar a importância da pesquisa de preços e da boa negociação. Não se deixe iludir. Toda vez em que houver um vendedor à sua frente, se lembre de negociar, de valorizar seu dinheiro.
Não se iluda com as falsas promoções, ofertas e generosidades do comércio. Boas compras!
Gustavo Cerbasi (www.maisdinheiro.com.br) é consultor financeiro e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Ed. Gente), Como Organizar sua Vida Financeira (Elsevier Campus) e Mais Tempo, Mais Dinheiro (Thomas Nelson Brasil).
Publicado originalmente no jornal Folha de S.Paulo, em 29/08/2011. Artigo protegido por direitos autorais. Reprodução autorizada desde que citada a fonte www.maisdinheiro.com.br
11 depoimentos!!
Prof. Elisson de Andrade:
Mais um texto repleto de bom senso e boas dicas para os consumidores. A maioria das pessoas colocam a emoção à frente da razão, na hora do consumo. É preciso fazer as contas e pesar tudo na balança. Deixo como dica o vÃdeo http://suasfinancaspessoais.blogspot.com/2011/08/como-calcular-taxa-de-juros-de-um.html que mostra algumas das armadilhas citadas pelo prof. Gustavo Cerbasi. Abraços.
Joilson de Assis:
Gostei muito do artigo, assim como várias coisas que venho acompanhando através de seus livros.
Parabéns, Gustavo!
alexandre:
Mandou bem Gustavo! Me motiva muito ver que mesmo pessoas com muito dinheiro pechincham e conseguem bons descontos. Fico extremamente frustrado quando me deparo com uma situação em que quero pagar a vista e não consigo nem 5% de desconto, optando por nesse caso, dividir o preço a vista em 2 ou 4x já que não consigo o desconto.
Diego Oliveira:
Gustavo, parabéns pelo sucesso da sua carreira, sempre com palavras edificantes e lições de humildade que servem para abençoar a vida de muitas pessoas, como eu mesmo tenho sido abençoado desde que comecei a acompanhar as suas dicas numa edição da VOCÊ/SA de 2005 se não e engano. Deus abençoe você e sua famÃlia.
Lilian:
Olá! Já pedia descontos, mas sabendo dos tais juros embutidos inclusive no valor anunciado a vista vou me empenhar mais. Agora, em relação a fazer compras mensais e ter alimento estocado, acredito que vai além de um hábito do tempo da inflação. Eu mesma não disponho de tempo para toda semana ir a um mercado, quanto mais ir em mais de um, pesaria muito na minha rotina. E em BrasÃlia as distâncias são grandes, a gasolina e o tempo que levamos indo de um mercado a outro não compensa tanto no fim das contas. Mas vale ficar atento as propagandas e aproveitar um bom desconto!
Um forte abraço,
LÃlian.
FabrÃcio Valadares:
Parabéns pelo texto! Sempre que possÃvel eu tento negociar descontos com os vendedores, faço disso um exercÃcio e gosto muito. Sempre que aparece anúncios na TV, principalmente das concessionárias de veÃculos, corro para o computador para verificar todo o custo efetivo da operação e sempre fico abismado com valor total que as pessoas irão pagar. Dá vontade de ir para frente das concessionárias e avisar as pessoas antes de entrarem… hehehe!
Mas infelismente as pessoas continuam comprando dessa maneira. Não consigo mudar o pensamento de meus familiarias, alvará pessoas que nem conheço rsrsrs
Riketz:
realmente a população em geral não está preparada para consumir conscientemente, sempre haverão juros, os preços sempre variam e a negociação (pechincha) é mal vista. temos de nos concientizar disso para melhorar e aumentar nosso poder de consumo, comprando à vista, pedindo desconto por isso, e usar os juros à seu favor (com investimentos) e não contra você (com dÃvidas). parabens Cerbasi
Fernando Tremonti:
Muito bom ler seus textos. Ainda mais quando você cita seus exemplos reais.
Abraços Mestre!
Raimundo Soares:
gostei muito do texto! parabéns, caro treinador!! abraço
Adonias Duarte:
Muito bom o seu texto, obrigado por fornceer ao público informações tão importantes que só contribuem para que os cidadãos possam saber dos seus direitos, impedindo que seus direitos sejam violados. Parabéns!!! Obrigadooooo pelas informações. Bom dia!!!!
Douglas Silva Neves:
Comemoro com orgulho o desconto que consegui na minha tv led, pagando a vista e até em pequenas coisas, como o desconto no tênis que estou usando agora kkk. Parabéns Gustavo pelas lições, estou sempre ligado nas suas dicas e tentando aprender com elas.

