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Novos perfis de investidores

Publicado em: - 13-02-2007

Quem busca orientações para seus investimentos junto a bancos é normalmente convocado a responder um questionário para identificar seu perfil de investidor. Após responder a perguntas relacionadas a perspectivas de vida, tolerância ao risco e à perda, capacidade de poupança e segurança dos dependentes, recebemos um rótulo: conservador, moderado ou arrojado/agressivo.

Essa rotulação serve pura e simplesmente para identificar qual pacote de orientações será oferecido. O pacote, por sua vez, tende a oferecer ao investidor soluções que atendam em parte a seus objetivos pessoais, mas que jamais deixarão de atender aos objetivos comerciais da instituição financeira. Em outras palavras, a típica consultoria de investimentos oferecida por seu banco nada mais é do que o produto, dentre as diversas alternativas lucrativas para a instituição, que mais se aproxima de suas necessidades. Não tem nada a ver com a melhor alternativa para seu bolso. Até aqui, nada de errado com a postura dos bancos, pois é o tipo de orientação que se espera quando procuramos conselhos de quem vende algo. Você acredita que seu corretor de imóveis lhe oferece sempre a melhor alternativa de moradia? Ou que o feirante lhe oferece sempre as melhores frutas da banca?

Um primeiro ponto a criticar é o método de identificação do perfil de investidor. Uma pessoa que responde que não tolera risco talvez precise de orientações quanto ao risco, e não de produtos pouco eficientes. Pelo critério comum de classificação de perfis, é inaceitável que um jovem afirme não tolerar riscos, pois ele tem um horizonte de décadas para compensar com ganhos suas eventuais perdas, e com isso colher frutos muito interessantes da opção pelo risco. Por outro lado, é igualmente inaceitável que um chefe de família cinquentão, com filhos adolescentes e bem informado sobre o mercado de ações seja orientado a adotar uma carteira com grande peso em alternativas de risco, se não tiver ao menos cem vezes o seu consumo mensal em reservas financeiras. Excesso de risco na meia idade pode trazer sérios problemas de saúde e de relacionamento familiar. Acima de tudo, a opção pelo risco deve levar em consideração o desprendimento da pessoa em relação ao prazo para utilizar os recursos investidos. Quanto mais tempo a pessoa tem pela frente, menos recursos precisa investir, e mais risco pode assumir. Obviamente, com a devida orientação e com boas fontes de informação.

Outro ponto questionável quanto à rotulação de perfis relaciona-se ao número de rótulos. Fazia muito sentido separar conservadores de moderados e de agressivos em uma economia de elevado nível de risco e instabilidade. Conservadores eram aqueles que não toleravam nem o risco (ganhar mais em um mês e menos no outro) e nem a perda. Investiam apenas em alternativas com certeza de ganhos constantes, como a renda fixa. Moderados toleravam o risco, mas não suportavam ver qualquer redução de saldo de um mês para outro. Investiam pouco em renda variável, o suficiente para que os ganhos da renda fixa compensassem até perdas típicas de crises na renda variável. Já os arrojados eram os que toleravam tanto o risco quanto eventuais perdas parciais, para colher ganhos maiores no futuro.

Com a atual decadência dos juros de mercado e conseqüente construção de um ambiente mais favorável para o crescimento da economia, deixa de fazer sentido o excesso de conservadorismo. Não investir um mínimo sequer de suas economias em renda variável é quase que uma displicência com seu patrimônio, pois uma carteira conservadora de, por exemplo, ações, composta por blue chips, pode trazer bastante segurança à evolução de seu patrimônio. Por isso, é razoável propor que devem existem hoje, dentre os que preferem investir apenas em alternativas do mercado financeiro, apenas dois tipos de investidor: os que investem pouco e os que investem muito em renda variável.

Gustavo Cerbasi é consultor financeiro e professor da Fundação Instituto de Administração, sócio-diretor da Cerbasi & Associados Planejamento Financeiro e autor dos livros Dinheiro – Os segredos de quem tem e Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, ambos pela Editora Gente.

1 depoimento!

» quinta-feira 5 novembro 2009 18:34 | permalink

Neydson Aquino:

Gostei muito do artigo Sr. Gustavo Cerbasi.
O presente artigo mostra que além das orientações dos especialista de um banco, nos precisamos estar atentos aos produtos financeiros que nos é oferecido, pois corre o risco de não está adequado ao nosso perfil ou até mesmo alinhado ao nosso objetivo pretendido.

Neydson Aquino

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