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O preço da educação

Publicado em: - 12-07-2010

A realidade da renda do trabalhador brasileiro não é motivo de orgulho. Temos uma renda per capita baixa em relação a países desenvolvidos, e essa baixa renda é pessimamente distribuída, refletindo grande injustiça social. Obviamente, a solução não é baixar um decreto que aumente os salários. O trabalhador simplesmente recebe o que ele vale, ou o que vale seu conhecimento e sua capacidade profissional. Ganha pouco quem agrega pouco aos resultados da empresa. A natureza do mundo dos negócios remunera mais quem contribui mais para a rentabilidade do capital dos sócios do negócio – mesmo que apenas potencialmente. Você é medido pelo que pode oferecer, e a medida mais imparcial de sua capacidade é o conhecimento que ostenta em seu currículo.

Enquanto nosso modelo de educação negligenciar a necessidade de ensinar nossos jovens a empreender e planejar sua vida, mais resignação e conformismo teremos entre os trabalhadores deste país. A constatação é evidente: não é de hoje que sobram vagas nas empresas, fruto da escassez de mão de obra qualificada. Muitas de nossas empresas que decidiram se expandir no exterior o fizeram para encontrar muito mais do que mão de obra barata. Os negócios estão em busca de mentes criativas, tecnologia e inovação, quesitos que ainda somos incapazes de produzir em níveis próximos aos que precisamos.

O desemprego, no Brasil, está próximo a seu recorde de baixa. Porém, é tão consistente a crítica no meio empresarial de que os negócios não crescem por falta de capital humano, que eu não considero otimista imaginar que poderíamos ter níveis de desemprego em torno de 5% da população ativa. Poderíamos, não fosse um detalhe: simplesmente não estamos preparados para competir com o resto do mundo, em termos de educação.

Por isso, vale a regra que já estamos acostumados a seguir para garantir nossa saúde e nossa aposentadoria. Chega de reclamar da falta de oportunidades, da preferência que o chefe deu a outro colega ou da crise do mercado. Pare de sonhar, e comece a agir. Seja um profissional maior que sua função, se quiser que reconheçam um valor maior do que ganha atualmente. Invista em educação e fortaleça seu currículo para que, em sua próxima entrevista, não existam argumentos para compará-lo com a concorrência. Afinal, a concorrência qualificada não é numerosa. Se um idioma ou um diploma a mais não lhe garantem uma promoção, no mínimo diminuem a probabilidade de você ser descartado na próxima faxina decorrente de uma crise.

Gustavo Cerbasi (www.maisdinheiro.com.br) é consultor financeiro pessoal e autor de Casais Inteligentes Enriquecem Juntos (Ed. Gente), Investimentos Inteligentes (Thomas Nelson Brasil) e Mais Tempo, Mais Dinheiro (Thomas Nelson Brasil).

Publicado originalmente no site www.maisdinheiro.com.br. Artigo protegido por direitos autorais. Reprodução autorizada desde que citada a fonte www.maisdinheiro.com.br

4 depoimentos!!

» sábado 17 julho 2010 12:59 | permalink

Charlles Nunes:

Prezado Gustavo,
Meus sinceros parabéns pela objetividade do artigo. Há tempos venho batendo nessa tecla com amigos de trabalho, e você foi direto ao ponto.
Com certeza, vou colocar seus conselhos em prática…
Nota 10 pra você!

» segunda-feira 19 julho 2010 23:17 | permalink

Alex Monteiro:

Gustavo, excelente!

» domingo 1 agosto 2010 13:00 | permalink

Fábio Erasmo:

Muito pertinente o seu comentário, a educação é a base de um país e estamos longe, muito longe do ideal, o ensino público é uma vergonha e o ensino privado é uma competição para poucos. Será que não nos faltam outros focos, será que todos os nossos filhos tem que passar na USP, FGV, federais ou estaduais? será que todos terão que ser executivos de sucesso em uma multinacional ou grande empresa, falando inglês fluentemente e com pós graduaçao no exterior. Existe uma teoria que a educação de hoje foi feita pele Revoluçao Industrial da Europa para suprir justamente a mão de obra perdida durante as guerras e grandes destruições econômicas do século passado. Precisamos nos atentar a descobrir talentos empreendedores com outros tipos de currículos, outras formas de investimento e não nos transformarmos em uma sociedade global e igual, sendo todos estereótipados pelo capitalismo. Mas independente da maneira, a solução é uma só. EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO e EDUCAÇÃO…..

» quinta-feira 19 agosto 2010 18:16 | permalink

José Carlos:

Ouço a sua participação na Transamérica há algum tempo. Os seus comentários me motivaram a tomar as rédeas da minha vida financeira, que por sinal está uma bagunça. Esse seu artigo fala exatamente a realidade do nosso país, espero sinceramente que esse quadro mude para melhor.
Agradeço pelas dicas.

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