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Os efeitos do PACote
Publicado em: - 30-01-2007
O ano de 2007 começou prodigioso em novidades. No começo da semana passada, veio o anúncio do tÃmido Plano de Aceleração do Crescimento, cheio de eloqüência e muito mais carregado de questionamentos. Afinal, a tal aceleração do crescimento da economia terá algum impacto em nossas vidas? Essa foi a questão rondou mais os noticiários do que os detalhes do próprio plano.
O primeiro bombardeio contra o pacote veio logo no dia do anúncio, com sindicatos questionando a possÃvel utilização do FGTS dos trabalhadores em fundos de infra-estrutura. Questionamento plausÃvel, que demonstra a negligência do Governo em sequer procurar garantir veementemente os possÃveis riscos da proposta. O risco de comprometimento dos recursos alocados para tal fim é irrisório, talvez desprezÃvel. Ainda mais após compararmos com os atuais rendimentos do FGTS, irrisórios, talvez desprezÃveis. Mas o Governo demonstra seu grau de amadorismo ao esquecer que aquele recurso tem dono, e que esse dono poderia questionar, pessoalmente ou através de seus representantes, a segurança do destino dado a ele.
Quanto à aplicabilidade e possÃveis resultados do pacote, o clima, após uma semana, é de uma festa que não aconteceu. Governadores foram contra a renúncia fiscal, confirmando uma marca de nosso modelo polÃtico: se eu não levo uns trocos a mais, não tem minha aprovação. E troco a mais nem sempre significa para o bem comum.
Alguns chegaram a alardear que o Pacote do Crescimento é inflacionário em essência, por basear-se em metas de crescimento e colocar em segundo plano metas de inflação e de juros. Considerações econômicas à parte, o Comitê de PolÃtica Monetária encarregou-se de acertar o fÃgado desses crÃticos, anunciando uma decepcionante redução de apenas 0,25 pontos percentuais na Selic. Seria um recado aos que questionaram a estabilidade? Ou uma dissonância entre as cabeças pensantes do Governo? O crescimento traz uma pressão inflacionária, mas os alarmistas esquecem que o pacote, por si só, já é tÃmido ao anunciar um aumento do crescimento de cerca de 3% para 5% ao ano. Comparado ao restante do mundo, o Plano de Aceleração do Crescimento está mais para Plano para Desempacar o Burro.
Para quem investe e está desanimado com a redução dos juros e desorientado com a possibilidade de diversificar os investimentos, o PAC traz boas notÃcias. Não espere, de agora em diante, um fantástico aumento nos rendimentos de determinada categoria de investimentos. Mas o simples anúncio do plano de crescimento demonstra que há uma atenção, por parte do Governo, sobre o crescimento consistente da economia. Se os juros baixos já criavam um bom ambiente para as empresas crescerem, a ênfase do Governo é bem-vinda. O mÃnimo que podemos esperar é mais solidez na estabilidade já conquistada, e isso será bom para sua carteira de ações.
Por outro lado, cabe lembrar que o PAC consolida uma expectativa de crescimento morno de nossa economia, o que projeta para as empresas brasileiras apenas um crescimento saudável, não um crescimento surpreendente. Para crescermos em um ritmo do qual possamos nos orgulhar, ainda há mudanças importantes a implementar, começando por uma faxina geral no sistema polÃtico e na polÃtica tributária, que assustam o capital estrangeiro. Outro passo fundamental para nossos investimentos deslancharem, sejam eles ações, imóveis ou uma empresa, é a promoção do Brasil para investment grade, ou nÃvel de recomendação de investimento pelos grandes bancos internacionais. Essa promoção depende do voto desses grandes bancos, que hoje se apavoram com nossas lambanças fiscais e polÃticas. Mas, como bancos do porte do UBS e do Credit Suisse já vêm, há algum tempo, adquirindo bancos, corretoras e fundos nacionais, não é utopia ansiar por boas notÃcias em breve.
Gustavo Cerbasi é consultor financeiro e professor da Fundação Instituto de Administração, sócio-diretor da Cerbasi & Associados Planejamento Financeiro e autor dos livros Dinheiro – Os segredos de quem tem e Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, ambos pela Editora Gente.

