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Segure seus impulsos

Publicado em: - 08-12-2006

O melhor investimento durante o ano de 2006 foram as ações, o que quer dizer que quem apostou nesse tipo de ativo se deu melhor do que outros investidores supostamente mais conservadores. Seus resultados superaram também os resultados de especuladores que, com suas técnicas de futurologia, traçaram apostas contra o câmbio ou contra o sucesso das empresas brasileiras.

Foi, então, um ano bom para os investidores que concentraram seus esforços nas ações? De forma alguma. Os resultados foram excelentes, mas o caminho para chegar até eles não foi um mar de rosas. Falar hoje é muito fácil. A gangorra dos altos e baixos trouxe grandes momentos de frio na barriga dos investidores, principalmente em fevereiro e em maio, fazendo de 2006 um ano difícil para aqueles com pouca propensão a aceitar o risco do mercado. Passados os momentos de stress, não faltam comemorações, euforia com os ganhos e espertinhos afirmando: “eu não disse?”. O ano realmente recompensou quem suportou o risco.

É hora, porém, de abrir a ducha de água fria e refrescar o pensamento, para fazer boas escolhas para 2007. É em momentos como agora, em que o índice Bovespa supera recordes sucessivos, que o investimento em ações brilha aos olhos de todos e começa a entusiasmar à mídia, aos corretores, aos investidores e aos candidatos a investidores. É o momento em que muitos refletem: “eu sabia que devia ter investido em ações; por que não segui as dicas de meu cunhado?”. Isso aconteceu ao final de 2005, muitos entraram euforicamente na bolsa e levaram um susto pouco mais de um mês depois, quando o índice Bovespa perdeu, em fevereiro, grande parte do ganho de quase 15% que teve em janeiro.

Se as ações mostram-se como bom investimento ano após ano, não é por acaso. Passamos por uma forte queda nos juros, o que é bom para as empresas e, por isso, conduz à maior lucratividade – consequentemente, leva à valorização de seus papéis, uma elevação consistente. Mas a queda nos juros desanima investidores mais conservadores e especuladores com expectativas de curto prazo, fazendo-os migrar parte de seus investimentos da renda fixa para as ações. Essa maior procura também conduz à elevação dos preços; uma elevação menos consistente, pois tenderá a ser substituída pela liquidação dos papéis (queda na bolsa) quando estes mesmos investidores e especuladores desconfiarem que há alternativas melhores para seu dinheiro. Quanto mais alto o índice Bovespa, menor é o espaço para altas substanciais nos preços.

Esta reflexão não invalida o fato de que as empresas continuam contando com um cenário favorável para seu crescimento. Não invalida também a análise técnica de especialistas, que projetam espaço para a elevação dos preços. Mas é uma reflexão que resgata a velha recomendação pela prudência. Lembre-se que todo investimento de risco exige prazo para mostrar resultado, e que você não deve colocar todos os seus ovos em uma única cesta. Se as análises mostram que o momento ainda é favorável às ações, que seja um investimento que respeite regras básicas, como investir sempre e de forma diversificada.

Se você acredita que as ações continuarão sendo um excelente investimento, não queira correr atrás de um suposto prejuízo, migrando totalmente seus recursos para fundos ou carteiras arrojadas. Para seguir a orientação do especialista de seu banco ou corretora, visando compor uma carteira de investimentos mais diversificada, faça-o gradualmente, um pouco a cada mês. Dois tipos interessantes de investidores colheram os frutos de um excelente ano para as ações. Primeiro, aquele de sangue frio, que seguiu principalmente as análises fundamentalistas das corretoras, que projetavam recuperações nos preços das ações Deus-sabe-lá-quando (o “quando” foi após a reeleição do Lula, quando ele não deu sinais de que iria fazer algo que ninguém sabe ao certo o que seria, mas que seria ruim). Outro tipo de investidor que se deu bem foi aquele que, parcimoniosamente, adotou a estratégia de alocar, todos os meses, parte de seus recursos em renda variável. Comprou na baixa em meses como dezembro de 2005 e junho de 2006. Comprou na alta em meses como fevereiro e abril deste ano. Mas, na média, comprou aquele que foi o melhor investimento ao longo do ano todo, e tenderá a ser, no mínimo, um bom investimento nos próximos anos, se as condições de mercado forem mantidas.

Trocando em miúdos… Se você acredita, hoje, que deveria investir mais em ações para compensar o desânimo da queda na renda fixa, é provável que você esteja pensando nisso na hora errada. Porém, se você acredita que precisa adotar uma estratégia de investimento para os próximos anos que inclua ações em sua carteira, não há dúvidas de que esta é uma excelente idéia.

Gustavo Cerbasi é consultor financeiro e professor da Fundação Instituto de Administração, sócio-diretor da Cerbasi & Associados Planejamento Financeiro e autor dos livros Dinheiro – Os segredos de quem tem e Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, ambos pela Editora Gente.

2 depoimentos!!

» sábado 11 julho 2009 20:56 | permalink

Robson Valle:

Aplico dinheiro na LTN tesouro nacional, porém desejo aplicar também em ações. Disponho de R$ 500,00 mês para investir em ações. É uma boa? Sei muito bem que renda variavel é rísco puro.
Obrigado.

» domingo 12 julho 2009 15:12 | permalink

maisdinheiro:

Robson, talvez seu entendimento de risco seja apenas parcial. Com uma boa estratégia, investir em ações implica em menos risco do que investir em imóveis. O maior risco na minha opinião, é investir errado. Uma boa carteira deve terparte dos investimentos em renda fixa e parte em renda variável. Para montar sua estratégia, recomendo a leitura do Investimentos Inteligentes.

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